quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Compliance para pequenas e micro empresas

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Compliance em Pequenos Negócios: É um diferencial competitivo?

Por: Thais Barcelos*

Estudos recentes do SEBRAE apontam o crescimento de novos empreendimentos no país face às dificuldades enfrentadas pelos brasileiros em encontrar emprego, em momentos de crise. O percentual de novas empresas (com até 3,5 anos) criadas devido ao atual cenário econômico saltou de 29% em 2014 para 43% em 2015, se mantendo praticamente estáveis nos dois anos seguintes.

Sendo assim, dá-se a necessidade destes novos empresários elaborarem medidas eficazes de controle e acompanhamento para o desempenho de seu negócio, visto que, de acordo com o SEBRAE, 23% das empresas no Brasil fecham as portas nos dois primeiros anos de atividade. Os pedidos de recuperação judicial e falência cresceram  nos pequenos negócios, e estes, foram os mais afetados, de acordo com dados do Serasa.

Paralelamente, para agravar a situação que o país vive, houve uma série de deflagrações de esquemas de corrupção como a “Operação Lava-Jato”. Essas deflagrações pressionaram o Governo, ao ponto de expedir um decreto regulamentando medidas duras de combate aos corruptos e corruptores, ou seja, a aplicação da Lei Anticorrupção.

Uma vez, Joel Birman[i] disse: “A corrupção é um crime sem rosto”.  Desde a aplicação da Lei 12.846/13, conhecida como Lei Anticorrupção a afirmativa de Birman passou a não fazer mais sentido. A partir desta Lei, toda pessoa jurídica é responsável objetivamente por práticas de atos lesivos contra a Administração Pública. A multa aplicada pode variar entre o valor de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício, a partir da instauração do processo administrativo, além da possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica com aplicação de sanções a seus administradores e sócios, com poderes de administração. Torna-se ainda, possível suspender ou interditar parcialmente suas atividades. E pior, a empresa poderá ser compulsoriamente dissolvida, e por aí vai. A relevância da culpa, nesse caso, se dá através da amplitude da possibilidade de gradação das sanções prevista na respectiva Lei. Um dos fatores de redução da penalização levado em consideração é a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade, ou seja, um programa de Compliance que envolva uma cultura de integridade, auditorias e incentivo à denúncia de irregularidades, além da aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica. Em suma, a adoção do programa, externa e internamente ao ambiente da empresa, poderá minimizar riscos que poderão impactar significativamente o negócio.

Como um programa de Compliance beneficia o microempreendedor

De acordo com pesquisa realizada em 2016 pela organização Endeavor, São Paulo lidera o ranking das cidades que mais empreendem no Brasil, seguido por Florianópolis e Campinas. Belo Horizonte apresentou-se na 11ª posição do ranking.  Os fatores determinantes para sua caracterização são os que influenciam diretamente na vida do empreendedor: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, capital humano, acesso ao crédito, inovação e cultura empreendedora. O microempresário que se deseja manter-se no mercado, deverá atentar-se além dos fatores acima, às novas exigências legais  para ser competitivo. Um exemplo de diferencial competitivo proporcionado pela adoção de um programa de Compliance é atender às novas leis que estão relacionadas ao tema, como a sanção da Lei 7753/2017, outorgada pelo Estado do Rio de Janeiro. 

Esta Lei torna obrigatória a implementação de um programa de integridade para as empresas que contratarem com a Administração Pública daquele Estado. Sendo assim, para manter-se à frente, a empresa que tiver um programa eficiente, capaz de atender as premissas de uma licitação mais exigente, levantará o troféu. Da mesma forma, empresas multinacionais e de grande porte cada vez mais optam por contratar empresas que adotam medidas de integridade e transparência. Aquelas que ainda não se adaptaram perderão o páreo.

Torna-se claro que a Lei Anticorrupção, colocou empresas e Governo no mesmo patamar, incluindo as microempresas. Sendo assim, os benefícios proporcionados por um programa de conformidade, são dispostos também nesse mercado, a fim de prevenir a ocorrência de atos ilícitos. A Portaria Conjunta CGU/SMPE Nº 2279 de 09/09/2015 dispõe sobre as avaliações de programas de integridade para microempresas e empresas de pequeno porte. De acordo com o Artigo 1º, parágrafo 2º tem-se que:

“A implementação, por microempresa ou empresa de pequeno porte, dos parâmetros de que trata o § 3º e o caput do art. 42 do Decreto nº 8.420, de 2015, poderá ser efetivada por meio de medidas de integridade mais simples, com menor rigor formal, que demonstrem o comprometimento com a ética e a integridade na condução de suas atividades.”

Para seguir os parâmetros de integridade citados no Artigo retromencionado, é necessário o comprometimento destes empreendedores e de seus funcionários. Pois, sem uma cultura forte e coesa o risco de fracasso torna-se eminente.

Outro benefício a se ressaltar, é o aumento da probabilidade de captar crédito para a microempresa. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), por exemplo, condiciona a concessão de crédito à adoção de medidas de integridade. A Câmara de Comércio Exterior (Camex), condiciona o apoio oficial às empresas exportadoras à assinatura de uma declaração em que assumem, entre outras exigências, cumprir “as normas e regulamentações anticorrupção”; entre elas a implementação de programa de integridade.[ii]

Conclui-se que, para que uma micro ou empresa de pequeno porte se mantenha no mercado, o estabelecimento de procedimentos focados a promover uma cultura íntegra em suas atividades é definitivamente um diferencial competitivo, sendo este o primeiro passo a se tomar nos dias de hoje.


* Thais Barcelos é  Analista Anticorrupção e Compliance da Belgo Bekaert Arames

segunda-feira, 7 de março de 2016

Impostos e cervejas


Queremos pagar mais impostos ao governo: saiba como.

(...) Em 1997, a Cervejaria Krug Bier reabriu o mercado das pequenas fábricas. Isso foi um avanço. Em 2017 a indústria microcervejeira mineira completará 20 anos e Minas Gerais não terá mais do que trinta e poucas fábricas desenvolvidas por microempresários.

Paira a seguinte questão: Por que não há um crescimento exponencial? O que aconteceu? Onde está o espírito do empreendedor? A resposta é simples! 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Minas Mix Beer



LOGO FESTIVAL
————————————– 06/09/2013 (SEXTA-FEIRA)————————————————
19H30 – NOITE DE AUTÓGRAFOS DOS AUTORES DO LIVRO RECÉM-LANÇADO “BRASIL BIER”
Brasil Beer – O guia de cervejas brasileiras
AUTORES: Henrique Oliveira e Helcio Drumond
SOBRE O LIVRO:
Um guia completo para os amantes da cerveja!
Que o brasileiro ama cerveja já sabíamos. Não é à toa que é a bebida alcoólica mais consumida no país. O que agora todos saberão é quais são e onde estão as melhores cervejas feitas no Brasil, do Norte ao Sul. Neste livro, os entusiastas da bebida poderão conhecer um pouco mais sobre o fabuloso mundo da cerveja brasileira, que vem experimentando um renascimento no país, com uma explosão de interessados em resgatar sua originalidade e em apreciá-la de um modo diferente e especial.
Para este detalhado guia, os autores mapearam e catalogaram praticamente todas as cervejarias, microcervejarias e associações de cervejeiros artesanais que atualmente existem no Brasil. São produtos com cores, aromas e sabores distintos dos convencionais, produzidos em menor escala, com qualidade superior e sempre com o olhar do dono do negócio.
Além disso, traçaram os principais roteiros, reunidos por região do país, estado e cidade, que poderão ser percorridos para se encontrar uma boa cerveja, onde quer que você esteja. São mais de 450 cervejas, e mais de 120 locais em que se pode beber o precioso líquido. Nestas páginas, você também obterá dados da região, indicações de hotéis e locais onde ficar, serviços de táxi e tudo o mais que você precisa saber para fazer um verdadeiro tour cervejeiro.
———————————— PROGRAMAÇÃO TÉCNICA 07/09 (SÀBADO) ———————————-
ATIVIDADE 1
13H00 – Palestra: Degustação dirigida para as mulheres
Facilitadora: Eulene Hemétrio
A beer sommelier irá promover uma degustação dirigida somente para mulheres que se interessam por cerveja. Serão degustadas 4 cervejas de estilos diferentes com o objetivo de ressaltar  suas características e peculiaridades. A participante vai aprender um pouco da história da cerveja, seus processos de fabricação e vai aprender avaliar cor, aroma e textura das cervejas apreciadas.
Currículo: Jornalista e beer sommelier formada pela ABS-Minas. Uma das fundadoras da 1ª Confraria Feminina de Cerveja do Brasil (Confece). Promove degustações dirigidas para grupos e empresas, além de ser autora do blog “Menu Cervejeiros”, criado com o objetivo de dar dicas de cervejas especiais de uma forma simples e esclarecedora.
Público alvo: Mulheres
Classificação: Acima de 18 anos

ATIVIDADE 2
15h00 às 16h00 – Palestra: “Uma Introdução às Escolas Cervejeiras e seus principais Estilos”
Facilitador: Carlos Henrique de Faria Vasconcelos .
Sommelier de Cervejas formado pela ABS-MG e pela Academia Sommelier de Cervejas. Cervejeiro caseiro, produtor da “1977 – Cerveja Artesanal” e da “Alvinegra – A Cerveja Campeã do Gelo”. Connoisseur da “Stella Artois” em Belo Horizonte/MG. Professor do curso de Sommelier de Cervejas da ABS-MG.
Classificação: Acima de 18 anos
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ADQUIRA SEU PASSAPORTE:
PASSAPORTE 1 => Degustação Dirigida + Ingresso 07/09  = R$55,00 (com taxa de conveniência)
PASSAPORTE 2 => Palestra Estilos e Escolas Cervejeiras + Ingresso 07/09 = R$55,00 (com taxa de conveniência)
PASSAPORTE 3 => Degustação Dirigida + Palestra Estilos e Escolas Cervejeiras + Ingresso 07/09 = R$88,00 (com taxa de conveniência)
 Mais informações: http://www.mixbeer.com.br/

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Expocachaça 2013


Livro Brasil Beer confirmado no Expocachaça de 2013

É isso aê pessoal! Nosso estande está confirmado pela Diretoria do Expocachaça (Lê-se aqui Luiz Vicente e José Lúcio) que nos cedeu um espaço exclusivo no evento para exposição do livro Brasil Beer, vendas e autógrafos. Os autores Henrique Oliveira e Hélcio Drumond estarão lá para atender os amigos do mundo cervejeiro. Estaremos do lado do estande das ACervAs.

Na compra de um livro o cliente ganhará um chope por conta dos autores!

Sobre o espaço Brasil Bier no Expocachaça


Em 2013, na sua 22ª edição, a Expocachaça traz novamente a Feira Brasil Bier, valorizando o seu desenho com o “Espaço Bier Show” que amplia e fortalece o evento, e propricia uma abordagem mais completa de toda cadeia produtiva da cerveja, destacando seus atributos, benefícios e os diferenciais competitivos das cervejas artesanais nacionais.

Além das cervejarias já confirmadas - Cervejarias: Artesamalt, Áustria, Backer, Baumgartner, Krug Bier, Viena Bier e Wals - o evento oferece 25 novos espaços com preços especiais e subsidiados para que as outras cervejarias do país possam participar. Na edição deste ano, além da exposição de marcas e produtos, será dado grande destaque aos cervejeiros caseiros, com discussões sobre tema em mesa redonda, cursos de fabricação, palestras técnicas, consultorias, harmonizações e a presença de vários produtores de equipamentos.

Não perca! Saiba mais em www.expocachaca.com.br  e http://www.expocachaca.com.br/bh/brasilbier.shtml












segunda-feira, 6 de maio de 2013

Concurso Mineiro da ACervA Mineira - 3ª Edição

Algumas pessoas esperam ansiosamente os feriados, para poderem descansar e realizar atividades quase sempre impossíveis de serem realizadas durante os dias úteis. Não seria diferente com os cervejeiros, que esperaram ansiosamente o dia 21 de Abril.
Em 21 de Abril de 2013, ocorreu em Nova Lima, na Cervejaria Küd, um encontro anual de cervejeiros caseiros, a Festa de Premiação do Concurso da ACervA Mineira.

Proposta do Concurso:

1.1 - O III Concurso ACervA Mineira de Cervejas Artesanais é um concurso aberto aos cervejeiros caseiros da ACervA Mineira e sem fins lucrativos, promovido pela própria instituição, cujo objetivo é promover e divulgar cultura cervejeira, prestigiar o movimento homebrewer crescente no estado de Minas Gerais, além de servir como preparatório para participação dos cervejeiros da associação no 8º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais. Fonte: Regulamento do III Concurso da ACervA Mineira.

Resumo sobre os estilos:

O guia de referência usado nos concursos da ACervA Mineira, e nos concursos nacionais, é o bjcp (pdf em Português do guia).

American Amber Ale (10B):

"Como um Pale Ale americana com mais corpo, mais rica em caramelo e mais equilibrada para o malte do que para o lúpulo (mesmo que as quantidade de lúpulo possam ser significativas)." Fonte: Guia bjcp

Robust Porter (12B):

"Uma Ale escura, maltosa, com sabor complexo e caráter torrado substancial." Fonte: Guia bjcp.

Saison (16C):

"Uma Ale refrescante, com frutado/condimentado de médio a forte, coloração amarelo alaranjado, intensamente carbonatada, bem lupulada, seca e com certa acidez, que acaba com a sede." Fonte: Guia bjcp.

Vienna Lager (3A):

"Caracterizada por uma maltosidade elegante e suave que seca no final para evitar se tornar seca." Fonte: Guia bjcp.

Estilo Livre, Escola Mineira de Cerveja (23):

O bjcp fala apenas que qualquer cerveja que não se encaixe em nenhum outro estilo, deve ser encaixada neste estilo.
A exigência do concurso, é que a cerveja leve qualquer ingrediente da culinária mineira, ou que a cerveja faça referencia (no sabor e aroma), a cultura mineira. Nesta categoria o céu é o limite, o que vale é a criatividade do cervejeiro de escolher os ingredientes ideais, e a técnica de faze-los trabalhar em harmonia.

Resultados:

American Amber Ale (10B):

1º Lugar: Reinaldo Barros e Pedro Gusmão
2º Lugar: Fabiano Carvalho
3º Lugar: Cristiam Rocha

Robust Porter (12B):

1º Lugar: Cristiam Rocha
2º Lugar: Renato Buaiz e Adriano Ferreira
3º Lugar: Fabiano Carvalho

Saison (16C):

1º Lugar: Kelvin Azevedo

2º Lugar: André Tiso
3º Lugar: Cristiam Rocha

Vienna Lager (3A):

1º Lugar: Cristiam Rocha
2º Lugar: Fabiano Carvalho
3º Lugar: Bernardo Gosling

Estilo Livre, Escola Mineira de Cerveja (23):

1º Lugar: Daniel Draghenvaard, com a cerveja Barlei UAIne do Jequitinhonha. Usando pedras incandescentes, a cerveja foi fervida, fazendo dela um híbrido de SteinBier. Os principais ingredientes foram ceveda maltada, e milho verde, na maturação chips de madeira jatobá.

2º Lugar: Giovani Mendes, com uma Dubbel com geléia de pimenta rosa e rapadura.
3º Lugar: Carlos Henrique, com a sua BlackWitbier, cerveja que originalmente leva cascas de laranja e sementes de coentro. Em sua receita ele utilizou de cascas de limão siciliano, cascas de laranja kinkan, cascas de mexerica morgot, anis estrelado, coentro, mel e polpa de cagaita.

Festa de Premiação:

Como todas as festas da ACervA o que não faltou foi cerveja. Tive a oportunidade de experimentar as mais variadas cervejas, como cerveja com pé de moleque, tamarindo, mel, pimenta rosa, cagaitá, além das que seguiam rigorosamente a Reinheitsgebot (lei alemã, que permite na cerveja apenas água, malte, lúpulo e levedura).
É incrível a troca de informação e conhecimentos que acontece nesse tipo de evento. Cada cervejeiro orgulhoso de ter criado uma receita, a compartilha com os amigos, que raramente a reproduzem igual, sempre a reproduzem colocando seu toque, que torna a cerveja única. Com certeza voltei para casa com a cabeça fervilhando de ideias, com várias sugestões, e o desejo de produzir.





Bate-Papo com alguns premiados:

Daniel Draghenvaard

Victor: De onde surgiu a ideia da receita?
Daniel: A ideia da receita surgiu de um projeto pessoal que comecei há alguns anos, que o chamei de "Freiheitsgebot" ou "Libertas Cervisaria" i.e. Liberdade Cervejeira, quando decidi criar receitas e comecei a colocar em prática as cervejas (e outros fermentados) sem lúpulo, feitas em processos genuinamente artesanais (fogão à lenha, fermentação espontânea, fermentação em temperatura ambiente), com ingredientes mineiros típicos dos principais biomas de Minas Gerais i.e. Cerrado e Mata Atlântica e também ingredientes típicos da Escandinávia. Na verdade, sempre me intriguei em replicar receitas prontas e estilos padronizados comerciais, então me adentrei em outros caminhos de produção, resgatando fermentados primitivos e experimentando novas idéias que fugissem das cópias que muitas pessoas e cervejarias fazem nos dias de hoje. Cheguei a compilar várias receitas e uma introdução de algo que pode se tornar um livro no futuro e quem sabe vir a ser uma referência aos pilares da hipotética "Escola Mineira de Cerveja".



Victor: Quais os maltes utilizados? Porque a escolha deles?
Daniel: Utilizei Pale Ale Malz, Melanoidin malz, Caramünich malz e Rauchmalz. Eram os que eu tinha disponíveis. Além dos maltes, utilizei milho verde também.

Victor: Quais os lúpulos? Porque a escolha deles?
Daniel: Não utilizei lúpulos.

Victor: Qual a levedura, e porque a escolha?
Daniel: T-58. Utilizei ela na temperatura mais baixa na fermentação, por duas semanas, para conseguir fazer um híbrido de “BárleiUAIne de Pedra” – Stein Barley Wine, mosto difícil de fermentar, pelo seu elevado OG (alto potencial alcoólico) e pelo alto teor de caramelização.

Victor: Qual a temperatura de fermentação? E a maturação?
Daniel: Ficou variando no termostato, entre 13°C e 15°C. Maturação entre -2°C e 1°C, durante 3 meses.

Victor: Como foi o envase? Você utilizou primming, ou outra técnica de carbonatação?
Daniel: Sem primming.

Victor: Você irá participar do concurso nacional neste estilo?
Daniel: Sim.

Victor: Com esta mesma receita?
Daniel: Não, outra receita.

Victor: O que espera do concurso nacional em termos de resultado?
Daniel: Espero ir bem para ao menos ter uma nota 30 no tipo de aferimento que considera o BJCP, de reconhecimento como uma boa cerveja, que é o que buscamos e nos esforçamos cada dia mais para obter. Cada ano que passa, o nível de qualidade dos competidores e das receitas aumenta bastante, então a pessoa que ganhar ou ficar nos primeiros lugares, pode se orgulhar que fez algo bom, de reconhecimento merecido. Espero que vai ser bacana prestigiar o evento como cervejeiro caseiro, pois este é o foco dele e o momento que temos no  ano para que amigos e camaradas de todo o país possam conhecer nossas produções.

Victor: Se pudesse escolher um dos estilos do ano que vem, qual estilo escolheria?
Daniel: Escolheria qualquer estilo pouco ou não difundido nos EUA e no Brasil, para que as pessoas possam experimentá-lo e conhecê-lo melhor e.g. Baltic Porter, Scotch Ale, English Cider, Northern German Altibier, Steinbier, Landøl, Red Slavik Lager, Rauchgruit, Porseøl, Kellerbier, Meads, Braggots, Hanfblüte, Castagnebier, et cetera.

Reinaldo Barros e Pedro Gusmão:

Victor: De onde surgiu a ideia da receita?
Reinaldo: Na verdade eu tinha convidado o Pedro pra fazermos uma cerveja juntos. Decidimos pela American Amber Ale. Uns dias depois ele me mandou uma receita pronta já. A partir dessa, juntos fizemos algumas alterações/ajustes. Posso dizer que a receita é mais de 80% dele. Eu, naturalmente fiquei mais responsável pelos processos de brassagem, fermentação e maturação, uma vez que fizemos no meu equipamento.
Pedro: Exatamente como o Rei falou. Há algum tempo havíamos conversado sobre fazer uma brassagem juntos e veio a calhar de fazer a American Amber Ale pros concursos mineiro/nacional. Escolhemos a American Amber Ale por gostarmos bastante e termos já alguma experiência com ales estilo americano: o Rei com a Barbatus (junto com o Roberto Prado) e eu com a BroBrewing (juntamente com o Guilherme e o Vinícius).

Victor: Vocês poderiam dar detalhes da receita?
Pedro e Reinaldo: Não só vamos dar detalhes, como vamos compartilhar a receita na íntegra! Quem quiser tentar reproduzir, fique à vontade e nos mande uma garrafa para "analisarmos" o resultado final.
Pedro: Para fazer a NNAA, procurei experimentar o que havia disponível no mercado para extrair as melhores características de cada cerveja. Algumas das cervejas foram Anderson Valley Boont Amber, Rogue American Amber Ale, Rogue St. Rogue Red, Seasons Wallace Amber. A idéia básica da Amber é uma American Pale Ale mais complexa e com mais equilíbrio entre malte e lúpulo. Primeiramente eu procurei referências no livro Designing Great Beers do Ray Daniels, mas não havia informações sobre esse estilo. Fiz uma pesquisa nos fóruns mais conhecidos - como o homemebrewtalk.com - e coletei as informações que achei legais.

Victor: Poderia explicar o porque da escolha de cada malte e cada lúpulo?
Pedro: Como malte base, usamos Pilsen, que contribui com a maior parte dos açucares fermentáveis. Maltes especiais usamos Carared, Cara Gold e Special B. Para ter um espectro legal de sabores e aromas (e consequentemente chegar na cor que desejávamos, já que a cerveja é para um concurso) resolvemos utilizar 3 maltes cristal, cada um com suas características. O Carared traz tons de vermelho e aroma/gosto de caramelo. O Cara Gold já é mais escuro e traz sensações de bala toffee. Por fim o Special B, que é um dos maltes cristal mais escuros disponíveis e traz notas de caramelo queimado e frutas secas.
Todos os lúpulos são variedades americanas, para ficar o mais fiel possível ao estilo proposto. O Columbus foi escolhido para amargor e para o "backbone" da parte aromática. Ele tem aquele aroma resinoso e "dank" que não é tão volátil a ponto de dominar mas que resiste bem na cerveja. O Cascade é velho conhecido, colocamos ele para fazer o meio de campo. Por último o Simcoe, que traz aromas que frutas cítricas (maracujá). Não pesamos a mão nele, por dominar facilmente a cerveja.
Sobre os tempos e quantidades, não queríamos um amargor muito forte nem gosto de lúpulo pronunciado, o que esconderia o sabor do malte. Por isso, não fizemos aquela adição clássica de lúpulo de sabor nos 30-20 minutos. No nariz, o equilíbrio também foi privilegiado: gostaríamos de um aroma bacana de lúpulo mas não muito pungente. Sendo assim, adicionamos uma pitada de lúpulo aos 5 minutos e uma quantidade generosa durante o whirlpool (que aliás é uma técnica que traz um resultado bem legal, hoje em dia todo nosso late hopping é feito no whirlpool). Não quisemos dry-hopping.

Victor: Qual a levedura e porque a escolha dela?
Reinaldo: Usamos US-05 pela sua neutralidade.

Victor: Quais as temperaturas de fermentação e maturação?
Reinaldo: A fermentação ocorreu a 18°C. Enquanto a maturação ocorreu em 10°C por 10 dias, e 0°C por 3 dias (para limpar).

Victor: Qual a técnica de carbonatação utilizada?
Reinaldo: Primming.

Victor: Vocês irão participar do concurso nacional neste estilo?
Reinaldo: Com certeza.

Victor: Com esta mesma receita?
Reinaldo: A receita será praticamente a mesma, fizemos apenas um pequeno ajuste no amargor e trocamos o fermento para o WLP001.

Victor: O que espera do nacional, em termos de resultado?
Pedro e Reinaldo: Participar de concursos é sempre legal pelo feedback que você recebe nas fichas dos juízes. Quanto ao resultado do concurso não sabemos muito o que esperar, mas gostaríamos de receber mais de 40 pontos.

Victor: Irá participar em outro estilo?
Reinaldo: Sim, Robust Porter.

Victor: Se pudesse escolher um dos estilos do ano que vem, qual estilo escolheria?
Reinaldo: Apesar de não ser um estilo oficial do BJCP, vou citar uma cerveja que tenho vontade de fazer e ainda não fiz. Belgian IPA.
Pedro: American Barley Wine. Tenho vontade de fazer uma estupidamente lupulada!

Receita da "No No! American Airlines" (Do Reinaldo com o Pedro):

OG: 1.050
IBU: 28,4

Maltes:
76% Pilsen Agrária
13% Weyermann Carared
6% Chateau Special B
5% Chateau Cara Gold (Cara 120)

Lúpulos (Para 47l):
35g Columbus (60 min)
13g Columbus (5 min)
13g Cascade (5 min)
50g Columbus (Whirlpool)
25g Cascade (Whirlpool)
25g Simcoe  (Whirlpool)

Mostura:
Infusão simples a 67°C.
Essa temperatura deixa o mosto com uma fermentabilidade mediana. Como buscamos um equilíbrio entre malte e lúpulo, resolvemos deixar a cerveja nem muito seca e leve nem muito doce e pesada.

Fermentação:
Deve ocorrer a 18°C.

Maturação:
10 dias em 10°C.
3 dias em 0°C.

Sobre o autor deste artigo:

Não poderia perder a oportunidade de divulgar um pouquinho mais meu trabalho. Para quem se interessar, também participei do concurso, na categoria Saison. Conto detalhes no meu blog: http://www.engenhariadacerveja.com.br/2013/iii-concurso-da-acerva-mineira/

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

COMUNICADO DA ACERVA MINEIRA

Conforme determinado em nossa Assembléia Geral Ordinária de 11/11/2012 e sabendo que a questão da legalização da produção da cerveja caseira é um dos pontos polêmicos que há muito ocupam as listas de cervejeiros em todo o Brasil, as discussões presenciais, as redes sociais e blogs especializados em cerveja, a Acerva Mineira vem a público esclarecer sua posição oficial sobre o tema.


É imperativo afirmar que a Acerva Mineira é favorável à venda somente de cervejas devidamente registradas conforme a legislação em vigor. Por entender assim, nossa Associação está inteiramente disposta a auxiliar seus associados que queiram registrar sua produção, prestando toda assistência que estiver ao nosso alcance.

Faz-se necessário neste momento reafirmar o grande passo dado pelos cervejeiros associados em Minas Gerais que foi o de aproximar-se do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), um órgão regulador que muitas vezes acaba sendo visto como inimigo ou dificultador, no qual procuramos o apoio de seus técnicos para que o produto artesanal, dentre eles o caseiro, não seja mais encarado como ilegal.

Entendendo que a atitude de aproximação foi a mais correta, temos encontrado no órgão a receptividade e cooperação necessárias para que, em futuro próximo, todo aquele que desejar produzir cerveja em casa possa fazê-lo dentro dos parâmetros sanitários vigentes e, portanto, tenha o direito de servi-la em público e até comercializá-la legalmente, caso isso lhe convenha.

Como consequência de nosso passo, os técnicos do MAPA em Minas Gerais buscaram apoio da Acerva Mineira para aprender mais sobre os diferentes estilos da bebida, além de aspectos produtivos, microbiológicos, tecnológicos, de forma que, munidos de informação correta, possam ter subsídios para opinar nacionalmente na modificação, ampliação e melhoria das normas reguladoras do segmento.

Cabe ressaltar que a Acerva Mineira entende que o setor cervejeiro artesanal abrange cervejeiros caseiros, nano e microcervejarias, brew pubs, estabelecimentos comerciais especializados e toda a cadeia produtiva, além claro, dos consumidores. Assim sendo, a visão da nossa Associação é acolher e amparar todos eles, buscando fortalecer e desenvolver o setor como um todo, propagando desse modo a cultura a ele associada.


Deixamos claro que continuaremos o trabalho conjunto com o MAPA e demais entidades governamentais envolvidas em todos os âmbitos da legislação e fiscalização da indústria. Continuaremos apoiando o desenvolvimento técnico das entidades e a elaboração de novas leis que amparem as cervejarias, bem como reconheçam o hobby cervejeiro como atividade legal, sujeita à fiscalização e às normas específicas que venham a existir.

Por fim, a Acerva Mineira entende que o momento é de trabalhar para a união de todas as entidades e associações de cervejeiros, associações de cervejarias, fornecedores, comerciantes, consultores, poder público e consumidores, pois temos a convicção que esse é o caminho para o desenvolvimento da cultura cervejeira no Brasil.



AcervA Mineira
 
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