domingo, 25 de outubro de 2009

Jambreiro Bâdil

As pessoas me perguntam o por quê do nome Bâdil na minha Jambreiro Brown Ale. A forma mais simples de explicar seria Bâdil foi a forma que o seu irmão, ainda muito novo, criou para conseguir falar Francisco Humberto.

Uma forma mais justa de explicar seria Bâdil um irmão. Mas uma forma mais difícil seria tentar explicar quem foi o Bâdil.

Na vida nós temos algumas poucas pessoas que chamamos de irmão, outras também o são mesmo sendo filhos de outros pais, mas também seria impossível que os nossos pais tivessem tantos filhos. Mas o Chico Beto, além de meu primo, do primo mais parecido comigo, tal qual um irmão, foi o meu irmão. Passei a primeira metade da minha vida morando fora de Minas Gerais, na segunda metade da minha vida ele morou lá em casa e foi nesse tempo um dos filhos dos meus pais, e ao longo de minha vida inteira um irmão.

Seria impossível escrever quem é o Chico Beto para mim, tudo que eu aprendi com ele, tudo que ele representa na minha vida. Um cara que apreciava a boa cozinha, a cerveja, mas tinha na família a sua maior alegria. Ninguém melhor do ele externava de forma tão apaixonada esse amor pela família.

Um cara alegre, de sorriso fácil, companheiro, com uma enorme ânsia por viver. Talvez porque lá no seu íntimo ele soubesse que iria cedo. Te todas memórias que eu tenho dele a única triste foi a da sua partida. Eu não tenho nenhuma imagem dele em minha memória onde ele não estivesse sorrindo.

Sempre que ele me apresentava alguém, ele dizia:

“Esse é aquele primo-irmão que eu te falei.”


Antes de me conhecer, essas pessoas já me conheciam como um irmão dele.

Essa é a última foto que tenho com ele foi no aniversário da Companhia Cervejaria Jambreiro, quando ele depois de dormir apenas duas horas, viajou 140 Km para prestigiar o meu evento. Nesse dia ele resumiu as suas paixões:

“Boa comida e boa bebida e a minha família, não existe nada melhor nesse mundo!”
Nessa foto está presente também a sua cunhada, Juliana.

O Francisco Humberto foi o primeiro a se surpreender com a minha cerveja, foi um dos maiores apaixonados pela minha cerveja, porém infelizmente ele não pode conhecer a minha Brown Ale. Ele não poderá conhecer as minhas próximas cervejas, nem os meus filhos, nem os meus netos, como eu sempre pensei que fosse acontecer.

Todo o pesar que eu tenho em pensar que eu não o terei mais por perto é menor, muito menor do que eu sinto por todas as outras pessoas do mundo que não puderam e não poderão dizer:

eu conheci o Francisco Humberto Ribeiro Mendes de Assis Fonseca,
  • o Francisco Humberto,
  • o Chico Beto,
  • o Bâdil,
  • o meu irmão.

Ele se foi, mas antes de ir ele ouviu de mim, nem uma nem duas vezes, mas várias vezes:

Chico Beto, você é meu irmão e eu te amo!


Humberto Ribeiro Mendes Neto

Um comentário:

Daleska disse...

Humbertinho, Não sei se vc vai se lembrar de mim! Sou irmã da Gisa! Parabéns primeiramente pela escolha do nome e da história por trás da sua cerveja! Fiquei sem palavras e simplesmente concordo plenamente com tudo!
Parabéns pela cerveja, li sobre o concurso na Beer Life! Parabéns por suas criações e espero degustá-las em breve!
Bjos
Daleska (Dada)

 
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